Segurança

Remédios de uso contínuo: posso tomar no dia do procedimento?

Segurança Dra. Marcela Awada Atualizado em junho de 2026 7 min de leitura
Remédios de uso contínuo: posso tomar no dia do procedimento?

Introdução

Quem usa remédios de uso contínuo quase sempre chega com a mesma pergunta antes da anestesia ambulatorial: posso tomar o meu medicamento no dia do procedimento? A resposta honesta é que depende. Alguns medicamentos costumam ser mantidos, outros podem precisar de ajuste ou pausa, e essa decisão é sempre individual.

Neste guia, explicamos a lógica por trás dessas condutas com exemplos gerais, para você entender o tema. O que não dá para fazer é decidir sozinho: a orientação definitiva sobre cada remédio vem da avaliação pré-anestésica, feita antes do dia marcado, em conjunto com o médico que prescreveu.

Por que a lista completa de remédios importa

Informar todos os medicamentos que você usa, com as doses, é um dos passos mais importantes do preparo. Isso inclui remédios de pressão, diabetes, tireoide, coração, ansiedade, anti-inflamatórios e até suplementos, fitoterápicos e produtos naturais, que muita gente esquece de mencionar.

Cada substância pode interagir de um jeito com a sedação. Por isso, a equipe precisa enxergar o quadro completo para planejar o procedimento com a margem de segurança adequada. Omitir um item, mesmo um que pareça inofensivo, pode mudar a conduta.

Quais medicamentos geralmente são mantidos?

Muitos remédios de uso contínuo costumam ser mantidos justamente para que a condição de base siga controlada no dia. É o caso, em diversas situações, de medicamentos para pressão, para a tireoide e para o coração, que com frequência são tomados com um gole de água, conforme a equipe orientar.

Manter a doença de base estável é parte da segurança. Por isso, em vez de suspender por conta própria achando que "no dia é melhor não tomar nada", o caminho certo é levar a dúvida para a avaliação pré-anestésica.

Quais medicamentos costumam exigir ajuste ou pausa?

Outros remédios podem pedir ajuste de dose ou pausa temporária, sempre de forma individual. Alguns medicamentos para diabetes, por exemplo, costumam ser ajustados no dia, já que o jejum altera a glicemia. Determinados anti-inflamatórios e alguns medicamentos que interferem na coagulação também podem entrar nessa lista.

A palavra-chave aqui é individualização. O que vale para um paciente não vale automaticamente para outro, porque entram na conta o tipo de procedimento, as suas condições de saúde e os demais remédios em uso. Por isso não existe uma regra única que sirva para todo mundo.

E o caso dos anticoagulantes?

Os anticoagulantes e antiagregantes, remédios que "afinam o sangue", merecem atenção especial. Eles são fundamentais para quem tem indicação, e suspendê-los por conta própria pode trazer riscos sérios. Por outro lado, dependendo do procedimento, manter o medicamento também exige cuidados.

Justamente por esse equilíbrio delicado, a conduta com anticoagulantes nunca deve ser decidida sozinho. Ela é definida em conjunto, considerando o motivo de uso, o tipo de procedimento e o médico que prescreveu. Para entender melhor como esse tipo de decisão é tomado, veja como funciona a avaliação pré-anestésica.

GLP-1 e remédios para emagrecimento exigem cuidado?

Sim. Os medicamentos do tipo GLP-1, usados para diabetes e emagrecimento, como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Saxenda e Victoza, exigem atenção específica. Eles tornam o esvaziamento do estômago mais lento, o que pode interferir no jejum e na segurança da sedação.

Se você usa algum deles, avise o quanto antes na avaliação pré-anestésica e nunca interrompa por conta própria. Entenda melhor o tema no nosso guia sobre Ozempic, Mounjaro e anestesia.

Por que só a avaliação pré-anestésica define a conduta final

Como você viu, não existe lista pronta de "pode" e "não pode" que sirva para todos. A conduta com cada remédio depende do conjunto: o procedimento, as suas condições de saúde, os outros medicamentos e a orientação de quem prescreveu. É exatamente esse cruzamento de informações que a avaliação pré-anestésica faz.

Por isso, o melhor caminho é simples: leve a lista completa, tire todas as dúvidas antes do dia e nunca inicie ou interrompa um remédio por conta própria.

Conclusão

Alguns remédios de uso contínuo seguem no dia do procedimento, outros podem ser ajustados ou pausados, e cada caso é único. O que garante a sua segurança é informar tudo o que você usa e deixar a definição final para a avaliação pré-anestésica, em conjunto com o seu médico.

Tem dúvida sobre algum remédio antes do seu procedimento? Fale com a M2A pelo WhatsApp e leve suas perguntas para a avaliação pré-anestésica. Se você tem uma clínica ou consultório e quer oferecer anestesia ambulatorial aos seus pacientes, fale com a M2A para iniciar a parceria.

Perguntas frequentes

Posso suspender meu remédio de pressão por conta própria no dia?
Não decida sozinho. Muitos medicamentos para pressão costumam ser mantidos justamente para que a condição siga controlada no dia, com um gole de água quando a equipe orienta. A definição sobre manter, ajustar ou pausar cada remédio é sempre da avaliação pré-anestésica.
Preciso avisar sobre suplementos e produtos naturais?
Sim. Suplementos, fitoterápicos e produtos naturais também podem interagir com a sedação, e muita gente esquece de mencioná-los. Informe a lista completa de tudo o que usa, com as doses, para que a equipe planeje o procedimento com a margem de segurança adequada.
Tomo anticoagulante. Devo parar antes do procedimento?
Anticoagulantes e antiagregantes exigem atenção especial e a conduta nunca deve ser decidida sozinho. Suspender por conta própria pode trazer riscos, e manter também exige cuidados conforme o procedimento. A decisão é tomada em conjunto, considerando o motivo de uso e o médico que prescreveu.
Uso Ozempic ou outro GLP-1. Isso muda alguma coisa?
Sim. Medicamentos GLP-1, usados para diabetes e emagrecimento, deixam o esvaziamento do estômago mais lento e podem interferir no jejum e na segurança da sedação. Avise o quanto antes na avaliação pré-anestésica e nunca interrompa por conta própria.
Por que não existe uma lista fixa de pode e não pode?
Porque a conduta com cada remédio depende do conjunto: o tipo de procedimento, as suas condições de saúde, os outros medicamentos e a orientação de quem prescreveu. Esse cruzamento de informações é feito na avaliação pré-anestésica, e por isso a resposta é individual.
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